Manaus, 17/06/2026

Brasil

Mãe que ofereceu Pix para criminoso não matar filho lembra luta de menino autista

Mãe que ofereceu Pix para criminoso não matar filho lembra luta de menino autista
17/06/2026 09h00

Ao lembrar do filho, Brenner Antony da Silva, de 4 anos, assassinado pelo ex-vizinho com golpes de ripa em Frutal, Railda Franciely Silva Del Grande diz que o menino lutou pela vida desde o nascimento. Segundo ela, Brenner nasceu prematuro, aos cinco meses de gestação, precisou ficar entubado e passou por acompanhamento médico até se estabilizar completamente. O menino também havia sido diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O assassinato do pequeno Brenner gerou forte repercussão em todo o país. O caso, marcado por requintes de crueldade, ganhou contornos ainda mais dramáticos após a revelação de que a mãe da criança tentou negociar desesperadamente com o invasor, oferecendo transferências de dinheiro via Pix para poupar a vida do filho.

De acordo com o depoimento de Railda Franciely Silva Del Grande, mãe da vítima, o suspeito pulou o portão da residência durante a madrugada e anunciou um assalto. Ela acordou assustada com barulhos vindos da entrada da casa e foi imediatamente rendida.

Em entrevista à imprensa local, Railda relembrou os momentos de pânico vividos sob a mira de uma arma branca.

“Eu perguntei pra ele se ele queria Pix, que eu não tinha dinheiro. Aí ele falou assim: ‘não, não quero’. E foi me levando pro fundo do quintal com uma faca no meu pescoço.”

Segundo o relato da mãe, Brenner, que tinha diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), acordou assustado com a movimentação e entrou em crise. Diante da reação do menino, o suspeito passou a agredi-lo violentamente com uma ripa de madeira.

Enquanto a criança era espancada, Railda foi amarrada com fios cortados da própria residência e mantida presa nos fundos do quintal. Após o agressor deixar o local, ela conseguiu se soltar, subiu em um muro e gritou por ajuda a vizinhos e familiares.

A Polícia Militar informou que, após cometer as agressões, o suspeito colocou Brenner dentro de um saco plástico preto e o abandonou em uma rua próxima. A criança foi socorrida em estado gravíssimo e encaminhada ao Hospital Frei Gabriel com traumatismo craniano severo. Apesar dos esforços da equipe médica, o menino não resistiu aos ferimentos e faleceu.

O suspeito, identificado como Felipe, foi localizado e preso pela polícia. No momento da detenção, ele confessou informalmente o crime aos militares, alegando ter agido por “vingança”. Segundo o depoimento do próprio capturado, a motivação seria um desentendimento antigo com Railda por conta de som alto, na época em que os dois eram vizinhos.

Além do homicídio qualificado, novos relatos chocantes sobre o perfil do suspeito vieram à tona. Moradores da região denunciaram à PM que, pouco antes, Felipe teria amarrado as patas de um cachorro da raça Pitbull pertencente à própria avó dele e jogado o animal em um lago. O cão foi encontrado morto, boiando na água.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, e o homem permanece à disposição da Justiça para responder pelos crimes de homicídio qualificado, tortura e maus-tratos a animais.

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