
O Brasil registrou 830.890 celulares roubados ou furtados em 2025, uma média de 95 aparelhos subtraídos por hora. Os números fazem parte do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Apesar do volume elevado, o levantamento mostra uma queda de 7,7% nas ocorrências em relação a 2024, quando haviam sido registrados 855.113 casos, contra 792.284 em 2025. Na comparação com 2019 — ano do pico histórico, com 1.053.433 registros —, a redução chega a 25%. Entre as 27 unidades da federação, apenas Rio de Janeiro (+22,7%) e Paraíba (+21,1%) apresentaram crescimento no período.
Do total de aparelhos subtraídos em 2025, a maioria foi furtada: 483.561 casos, um crescimento de 0,9% em relação ao ano anterior. Já os roubos somaram 308.723 ocorrências, queda de 18,6%.
Segundo os pesquisadores Samira Bueno e Renato Sérgio de Lima, responsáveis pelo relatório, essa migração de roubos para furtos está ligada ao risco menor para quem comete o crime: o furto costuma ocorrer sem contato direto com a vítima, muitas vezes em locais de grande movimento, o que reduz as chances de flagrante e prisão. Já o roubo exige confronto ou ameaça, o que aumenta a exposição do criminoso. “Em muitos casos, como em transportes públicos ou locais com grande circulação de pessoas, a vítima só percebe o crime depois que ele aconteceu”, diz o relatório.
O documento também aponta que o aumento de câmeras de monitoramento, a maior presença policial e mudanças de comportamento da população podem ter elevado o “custo” de cometer roubos. Além disso, o retorno financeiro desse crime passou a depender cada vez mais de a vítima ser obrigada a desbloquear o celular e fornecer senhas bancárias — o que não ocorre nos furtos, em que os aparelhos costumam permanecer bloqueados, reduzindo seu valor de revenda.
O anuário identificou rotinas distintas entre os dois tipos de crime:
De acordo com o relatório, o deslocamento dos roubos para o período noturno está relacionado à maior facilidade de fuga do criminoso e à menor quantidade de testemunhas nesse horário, já que o crime exige interação direta com a vítima.
Quanto aos locais, a rua é o principal palco dos dois crimes: 77,2% dos roubos e 49,3% dos furtos ocorrem em vias públicas. Furtos também são frequentes em estabelecimentos comerciais (15,2%) e no transporte público (6,1%).
Sobre o perfil das vítimas, os homens são majoritários nos casos de roubo (59,8%), enquanto nos furtos a distribuição é praticamente equilibrada entre homens (50,3%) e mulheres (49,7%).
Entre os municípios com as maiores taxas de roubo e furto de celulares por 100 mil habitantes, 14 são capitais. O Nordeste lidera com oito cidades no ranking, seguido pelo Norte, com seis, e pelo Sudeste, também com seis.
São Luís (MA) aparece em primeiro lugar, com taxa de 1.517 casos por 100 mil habitantes, seguida por Belém (PA), com 1.487, e São Paulo (SP), com 1.390. Completam a lista das oito cidades com as maiores taxas: Salvador (BA), com 1.195; Lauro de Freitas (BA), com 1.144,5; Porto Velho (RO), com 1.123,2; Manaus (AM), com 1.107,1; e Olinda (PE), com 1.060,3.
Manaus ocupa a 7ª posição no ranking nacional, superando capitais de outras regiões do país e ficando atrás apenas de Belém entre as cidades do Norte. A taxa de 1.107,1 furtos e roubos por 100 mil habitantes coloca a capital amazonense entre as dez localidades com maior incidência desse tipo de crime em todo o Brasil — um dado que reforça a atenção que o tema exige da população e das autoridades de segurança na região.
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