
O Ministério da Economia se manifestou favoravelmente pela extinção de todas as regras que garantem a meia-entrada para cinemas. Segundo dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), a receita com ingressos inteiros estão em queda há 3 anos, enquanto as entradas com preços reduzidos tiveram alta no mesmo período. Quase 80% dos ingressos de cinema vendidos no Brasil no ano passado tiveram preço de meia-entrada.
O cenário levou o órgão regulador a abrir uma consulta pública para discutir a obrigatoriedade legal da redução de entradas e os seus impactos no mercado. As discussões estão abertas para contribuições até 13 de agosto.
Para o ex-secretário de Política Econômica e presidente do Insper, Marcos Lisboa, a meia-entrada nos cinemas é uma distorção que se repete em diversos setores, como no crédito, que é subsidiado para alguns setores, e no transporte público, que é gratuito para alguns grupos. Na avaliação dele, em todos os casos, se o Estado quer beneficiar algum grupo, deve pagar pelo subsídio com recursos do orçamento. Segundo Lisboa, porém, há outras formas melhores de utilizar os recursos públicos do que custear entradas de cinema.
“O Brasil tem há muitos anos essa prática de criar distorções, em que se oferece um preço diferente para um certo grupo, e o que acontece é que o custo tem que ser coberto e preço cheio acaba ficando muito maior. Se todo mundo paga meia, a meia vira a entrada cheia”, diz Lisboa. “Isso expulsa quem paga o preço cheio do mercado, e aí o preço tem que subir mais ainda. É um ciclo vicioso.”
Com informações do jornal O Estado de S. Paulo.
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