
A aparente unidade da família Bolsonaro ruiu publicamente. Em um movimento que chacoalhou os bastidores da política, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro usou suas redes sociais para denunciar o próprio enteado, o senador Flávio Bolsonaro, atual pré-candidato à Presidência da República. O motivo? Uma disputa de território e influência sobre os palanques regionais que expôs feridas profundas na dinâmica familiar.
O racha, que vinha sendo abafado desde o fim do ano passado, veio à tona com acusações de humilhação e desrespeito. Michelle não poupou críticas à postura de Flávio, a quem se referiu estritamente como “enteado” ou “pré-candidato”, confiscando-lhe o sobrenome político.
O estopim do conflito é estratégico e envolve o Nordeste.
Ao tentar intervir no diretório cearense, Michelle ouviu do enteado que “não entendia nada de política” e que “havia chegado ontem”. A resposta dela veio em tom de aviso: “Eles me tratam como se eu fosse idiota, mas eu sei mais do que eles pensam” .
O desabafo de Michelle revelou que a crise transbordou a tática eleitoral e virou caso pessoal. Ela acusou um “gabinete do ódio” internacional — ligado a aliados de Flávio e ao deputado Eduardo Bolsonaro, atualmente nos EUA — de orquestrar ataques virtuais contra ela e sua filha adolescente, Laura. Segundo ela, o grupo tenta minar sua imagem retirando o sobrenome “Bolsonaro” de publicações na tentativa de isolá-la politicamente.
Enquanto o desabafo de Michelle incendiava os grupos de mensagens da direita, a reação de Flávio Bolsonaro foi o desdém público. Aproveitando o clima da Copa do Mundo 2026, o senador fez uma transmissão ao vivo de máscara, ignorou o teor das acusações e blindou sua candidatura citando o aval do pai, que cumpre prisão domiciliar: “Nada nem ninguém me aborrece hoje. O presidente sabe o que é melhor e me deu essa missão” .
A quatro meses da eleição, o PL agora precisa administrar o pior dos cenários: uma guerra interna onde a ex-primeira-dama, principal cabo eleitoral da legenda, recusa-se a subir no palanque do próprio candidato do partido.
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