Manaus, 21/07/2026

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Movimento que transforma: artistas compartilham como a dança impacta suas vidas e fortalece coletivo

Movimento que transforma: artistas compartilham como a dança impacta suas vidas e fortalece coletivo
28/04/2025 13h10

No dia 29 de abril, o mundo celebra o Dia Internacional da Dança, uma data que homenageia a arte do movimento e suas diversas formas de expressão. No Amazonas, a dança vai além do palco e se torna uma poderosa ferramenta de empoderamento e transformação social. Em conversa com personalidades da cena local, exploramos os desafios que envolvem essa arte na região, as trajetórias inspiradoras de quem vive da dança e o papel fundamental que ela desempenha na construção de identidades, na promoção da inclusão e no fortalecimento da autoestima. 

FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO 

A bailarina e professora Vanessa Viana iniciou sua trajetória no balé aos 12 a n o s , no Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro . Desde então, construiu uma carreira marcada pela disciplina e paixão pela dança, com formação pela Royal Academy of Dance, passagem por companhias como o Balé Folclórico do Amazonas e atuação internacional. Hoje, à frente do Levé Studio de Dança, ela aplica uma metodologia focada não só na técnica, mas também no bem-estar físico e emocional dos alunos.

Entre os principais desafios da profissão, ela destaca a falta de valorização e reconhecimento. “Tive muitos colegas extremamente talentosos que desistiram no meio do processo porque tiveram que buscar um ‘plano B’, em relação a estudo e trabalho, para conseguir pagar as contas”, conta. Para ela, ainda há quem enxergue a dança como hobby, e não como profissão. “Muitas pessoas, e até mesmo políticas, ainda não compreendem a dança e as artes em geral, como profissão, e sim como um hobby ou algo supérfluo”.

Além de arte, Vanessa acredita que a dança é uma potente ferramenta de transformação. “Quando nos entendemos, nos enxergamos, reconhecemos quem somos através da consciência do nosso próprio corpo”. 

Mulher, professora e empresária, ela busca tornar a dança mais acessível e equitativa. “O Levé tem se preocupado em desenvolver ações que irão promover a equidade na prática da dança”. 

MUDANÇA E EMPODERAMENTO

Árina Costa iniciou sua trajetória na dança ainda criança, influenciada por sua família, que sempre teve uma forte ligação com a arte. “Desde criança, eu dançava nas festas de família, mesmo sem fazer aula em nenhum lugar”, relembra. Foi aos 13 anos, quando uma amiga a convidou para fazer balé, que Árina encontrou um caminho que a faria seguir firme na carreira artística. A dança, além de ser sua paixão, tornou-se uma ferramenta poderosa de transformação pessoal e social.

Contudo, a trajetória de Árina não foi isenta de desafios. Para ela, um dos maiores obstáculos é o reconhecimento da profissão de dançarino. “Muitas pessoas não veem a dança como uma profissão séria, acham que faço só um ‘bico’ e, quando digo que possuo carteira assinada, ficam impressionados. Por conta disso, muita gente que contrata nossos serviços quer pagar pouco ou até nem pagar”, revela. A falta de valorização da profissão e os preconceitos sobre a dança como uma carreira sustentada são desafios constantes na sua trajetória.

Para Árina, no entanto, a dança vai muito além da técnica: é um motor de mudança e empoderamento, especialmente para as mulheres. “A dança salva a vida de muitas pessoas, principalmente mulheres que conheço, que saíram de uma vida sem perspectiva para uma vida de realização profissional. Pois, na dança, aprendemos a ter perseverança, disciplina e coragem, e isso faz crescermos individualmente e no coletivo em diversas áreas. “Em sua carreira, ela se dedica a passar esses valores adiante, seja como bailarina no Balé Folclórico do Amazonas ou em projetos de formação e inclusão social.

DESAFIOS E TRANSFORMAÇÕES 

Hanna Vilaça iniciou sua trajetória na dança como forma de tratamento para um problema de saúde, sendo incentivada pela família a buscar atividades físicas. Foi na infância, aos 12 anos, que ela começou a dançar, primeiramente em aulas de hip hop e, logo depois, se apaixonou pelo jazz. A experiência de participar do Festival de Dança de Joinville em 2013, onde sua turma conquistou o primeiro lugar, foi determinante para ela decidir seguir a dança como profissão.

Atualmente, Hanna lida com desafios relacionados à instabilidade financeira e à falta de espaços adequados para ensaios e apresentações. “Eu não consigo ter aquele valor fixo mensal. Fica muito complicado”, explica ela sobre as dificuldades que impactam diretamente sua carreira. A busca por patrocínios também tem sido uma constante, mas Hanna segue com perseverança à frente da Cia Vilaça, um projeto que ela fundou com foco na dança jazz.

A dança, segundo Hanna, tem um papel poderoso no empoderamento individual e coletivo. Ela destaca o trabalho realizado na Cia Vilaça, onde mães, profissionais e mulheres de diferentes áreas encontram na dança um espaço para realização pessoal e artística. “Qualquer um pode dançar”, afirma, ressaltando o impacto positivo que a dança pode ter na autoestima e na autoconfiança das mulheres, permitindo que elas realizem seus sonhos e superem barreiras pessoais e sociais.

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