Manaus, 04/06/2026

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Mulher se casa com homem condenado à morte semanas antes da execução

Mulher se casa com homem condenado à morte semanas antes da execução
17/04/2026 11h30

Uma britânica de 31 anos foi até o Texas (EUA) para se casar com James Broadnax, de 37 anos, um homem que está no corredor da morte e que tem sua execução marcada para 30 de abril.

O casamento aconteceu dia 14 de abril, apenas duas semanas antes da data programada para a aplicação da injeção letal.

A cerimônia, segundo a noiva, Tiana Krasniqi, foi rápida e cercada de restrições. Ela afirmou que o casamento durou cerca de 20 minutos e ocorreu inteiramente através de um vidro, sem qualquer contato físico entre os dois, por causa das regras impostas pelo sistema prisional do Texas para detentos no corredor da morte.

Tiana, que é de Londres, disse que sabe que a relação está longe de ser convencional e que não conta com apoio de amigos e familiares. Em entrevistas, ela afirmou que ninguém está feliz com sua decisão, mas disse compreender a reação das pessoas e declarou não guardar ressentimento.

Segundo ela, a história improvável de amor começou em 2024, quando entrou em contato com Broadnax durante uma pesquisa acadêmica sobre disparidades raciais no sistema de Justiça dos Estados Unidos. A aproximação, de acordo com Tiana, não tinha intenção romântica no início, mas as conversas por e-mail evoluíram para ligações diárias de horas.

Ela contou que, depois de dois ou três meses, a relação deixou de ser apenas parte do estudo. Tiana disse que os dois passaram a falar por seis ou sete horas por dia e que, mesmo sem convivência fora do ambiente prisional, criou um vínculo emocional com Broadnax. Mais tarde, ela viajou para Houston e passou 90 dias visitando o preso, sempre através do vidro.

O pedido de casamento, segundo o relato dela, também aconteceu durante uma visita. Tiana disse que Broadnax falou sobre seus sentimentos e a pediu em casamento. Ela afirmou que ele já havia dito que não esperava mais nada da vida depois que um recurso à Suprema Corte dos Estados Unidos foi negado.

Condenado por duplo homicídio

Broadnax está no corredor da morte desde 2008, após ser condenado pelo assassinato de dois homens, Stephen Swan, de 26 anos, e Matthew Butler, de 28, mortos a tiros quando deixavam um estúdio de música. O caso, porém, segue cercado de controvérsias e é justamente isso que sustenta a mobilização de Tiana contra a execução.

A noiva afirma que houve viés racial na formação do júri. Segundo ela, sete jurados negros em potencial foram excluídos, e o conselho final teve 11 jurados brancos e apenas um negro. Ela também questiona a força das provas e diz que o DNA de Broadnax não foi encontrado nem nas armas usadas no crime nem nas roupas das vítimas.

Outro ponto citado por Tiana é a nova declaração de Demarius Cummings, primo de Broadnax, que cumpre prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Segundo ela, Cummings assumiu ter agido sozinho, e o material genético encontrado no caso corresponderia a ele, não a Broadnax.

Tiana também contesta a confissão de Broadnax à polícia. Ela afirma que ele estava sob efeito de drogas quando foi interrogado, apenas quatro horas após a prisão. Segundo o relato dela, cinco interrogadores participaram do interrogatório, e a pressão teria levado Broadnax a assumir a culpa por um crime que, na visão dela, ele não cometeu.

Além disso, Tiana critica o uso de letras de rap escritas por Broadnax durante o julgamento. Ela disse que os jurados pediram para rever esse material duas vezes antes de decidirem sobre a condenação, para avaliar se ele representaria perigo no futuro. Para ela, isso ajudou a construir uma imagem distorcida do réu.

Mesmo reconhecendo que será julgada por sua decisão, Tiana diz que conhece bem o caso, mantém esperança de barrar a execução e insiste que está agindo de forma consciente.

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