Manaus, 05/06/2026

Amazonas

Nível do Rio Negro baixa dois centímetros em Manaus após cerca de 250 dias seguidos de subida

Cheia do Rio Negro em Manaus. — Foto: William Duarte/Rede Amazônica
Cheia do Rio Negro em Manaus. — Foto: William Duarte/Rede Amazônica
10/07/2025 14h00

O nível do Rio Negro em Manaus baixou dois centímetros e atingiu a marca de 29,03 metros nesta quarta-feira (9), segundo dados da Defesa Civil do Estado. É a primeira vez que o nível do rio apresenta queda após cerca de 250 dias seguidos de subida das águas.

A cheia dos rios no Amazonas já afeta mais de 525 mil pessoas, segundo o boletim mais recente da Defesa Civil do Estado, divulgado na terça-feira (8). As comunidades atingidas enfrentam dificuldades para se deslocar, perdas na produção agrícola e alagamentos em suas residências.

Com a nova atualização o rio ainda continua dois centímetros acima da cota de inundação severa, que foi superada no mês passado. De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a previsão é que o rio não atinja a marca histórica de 30,02 metros, registrada em 2021. A estimativa foi divulgada no 3º Alerta de Cheias da Bacia do Amazonas de 2025.

A redução do nível ocorre após o Rio Negro apresentar estabilidade, sem qualquer variação desde domingo (5). O processo de enchente teve início no dia 13 de outubro de 2024, após uma seca histórica enfrentada no estado e oscilou até 7 de novembro, quando a subida das águas aconteceu de forma ininterrupta até esta quarta.

Apesar da queda, o meteorologista e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Renato Senna, afirma que ainda não é possível cravar que o processo de vazante das águas tenha começado.

Eu considero uma média móvel de no mínimo cinco dias sendo negativa. As variações diárias podem alterar um pouco mais, mas até ontem a média móvel era zero, indicando estabilidade”, afirmou.

Historicamente, o rio costuma apresentar redução de nível na segunda quinzena de junho. De acordo com a pesquisadora em Geociências e superintendente regional do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Jussara Cury, não é comum que neste período do ano o rio esteja nesse nível.

Ela explica que a cheia prolongada em Manaus é resultado direto de dois fatores principais: o acúmulo de chuvas na parte norte da bacia amazônica

Nesse momento, estamos com chuvas concentradas na parte norte da bacia, o que inclui sub-bacias como a do Rio Negro e do Branco. Esse volume de água está sendo represado pelos níveis ainda altos do Solimões. Como os dois rios se encontram na região metropolitana de Manaus, o Rio Negro acaba ficando parado, sem conseguir escoar”, explicou.

O monitoramento do Rio Negro é feito com base nas cotas de medição, tendo como referência a cheia recorde de 2021. Veja classificação abaixo.

  • 🔴 Cota máxima registrada (2021): 30,02m
  • 🟠 Inundação severa: 29,00m
  • 🟡 Inundação: 27,50m
  • ⚪ Alerta: 27,00m

Impactos seguem afetando população

O nível dos rios já impacta os trabalhadores e frequentadores do Centro de Manaus. O Mercado Municipal Adolpho Lisboa fica localizado em frente a orla do Porto de Manaus, às margens do Rio Negro, e recebe centenas de visitantes diariamente.

A travessa Tabelião Lessa, na lateral do local, faz a ligação da rua diretamente ao rio. Durante a cheia, a água costuma inundar a travessa e alagar as vias no entorno do mercado.

Foi o que aconteceu na rua dos Barés, que dá acesso a parte de trás do ponto turístico. Por lá, a água encobre o asfalto, preocupando motoristas e feirantes. Elielson Silva trabalha com o transporte de produtos e passageiros no Centro e disse que a situação o prejudica.

“Está atrapalhando a locomoção. Para a gente atravessar aqui só se for de canoa”, ironizou. “Atrapalha tudo, a gente precisa transportar e daqui alguns dias ninguém passa mais”, completou o motorista.

Cenário no Amazonas

Até esta quarta-feira (9), 40 dos 62 municípios do estado estão em situação de emergência decretada pelo governo estadual devido ao fenômeno. Veja a lista:

  • Guajará – Rio Juruá;
  • Ipixuna – Rio Juruá;
  • Itamarati – Rio Juruá;
  • Eirunepé – Rio Juruá;
  • Juruá – Rio Juruá;
  • Carauari – Rio Juruá;
  • Boca do Acre – Rio Purus;
  • Borba – Rio Madeira;
  • Nova Olinda do Norte – Rio Madeira;
  • Apuí – Rio Madeira;
  • Humaitá – Rio Madeira;
  • Manicoré – Rio Madeira;
  • Novo Aripuanã – Rio Madeira;
  • Atalaia do Norte – Rio Solimões;
  • Benjamin Constant – Rio Solimões;
  • Santo Antônio do Içá – Rio Solimões;
  • Tonantins – Rio Solimões;
  • Amaturá – Rio Solimões;
  • Fonte Boa – Rio Solimões;
  • Maraã – Rio Solimões;
  • São Paulo de Olivença – Rio Solimões;
  • Japurá – Rio Solimões;
  • Tefé – Rio Solimões;
  • Coari – Rio Solimões;
  • Jutaí – Rio Solimões;
  • Careiro da Várzea – Rio Solimões;
  • Careiro – Rio Solimões;
  • Manaquiri – Rio Solimões;
  • Anamã – Rio Solimões;
  • Careiro – Rio Solimões;
  • Anori – Rio Solimões;
  • Caapiranga – Rio Solimões;
  • Itacoatiara – Rio Negro;
  • Itapiranga – Rio Negro;
  • Boa Vista dos Ramos – Rio Negro;
  • Santa Isabel do Rio Negro – Rio Negro;
  • Manacapuru – Rio Solimões
  • Uarini – Rio Solimões
  • Urucurituba – Rio Amazonas
  • Alvarães – Rio Solimões

Além dos municípios em emergência:

  • 18 estão em estado de alerta;
  • e quatro em situação de normalidade.

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