
Manaus (AM) – O discurso de eficiência administrativa defendido pela empresária Maria do Carmo, pré-candidata ao Governo do Amazonas, entrou em xeque após o curso de Medicina do Centro Universitário Fametro, instituição por ela administrada, receber nota 1, a pior da escala no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), do Ministério da Educação (MEC).
A pontuação mínima resultou na suspensão imediata do ingresso de novos alunos no curso, conforme as regras do MEC para instituições enquadradas na faixa mais baixa de avaliação.
Desempenho crítico no exame do MEC
O Enamed avalia a qualidade da formação médica em uma escala de 1 a 5. A nota 1 indica falhas graves e estruturais, que vão além do desempenho dos estudantes e envolvem critérios como qualificação do corpo docente, projeto pedagógico, infraestrutura e gestão acadêmica.
Ao todo, 351 cursos de Medicina foram avaliados em todo o país. Desses, 107 ficaram nas faixas 1 e 2 e sofrerão sanções automáticas. Cursos com nota 1, como o da Fametro, ficam impedidos de abrir novas vagas até a correção das irregularidades. A Universidade Nilton Lins também recebeu nota 1 e recebeu a mesma penalidade.
Formação médica e impacto direto na saúde
A avaliação negativa ocorre em um cenário preocupante para a saúde pública no estado. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que o Amazonas registrou 431 novos processos por erro médico apenas no primeiro semestre de 2025.
Entre os principais incidentes estão falhas no uso de cateter venoso, lesões por pressão e erros na assistência à saúde. Casos mais graves incluem administração incorreta de medicamentos e cirurgias em locais errados do corpo do paciente, situações consideradas evitáveis com formação adequada.
No Brasil, foram registrados 45.967 novos processos por erro médico no mesmo período, evidenciando uma crise nacional na segurança do paciente.
Reação política e críticas à gestão
O resultado do Enamed provocou forte repercussão política e nas redes sociais. Críticos apontam que uma gestão focada no lucro não garante qualidade educacional, especialmente em áreas sensíveis como a Medicina.
Segundo eles, o desempenho fragiliza o discurso de eficiência administrativa associado à pré-candidatura de Maria do Carmo e levanta dúvidas sobre a responsabilidade social de instituições privadas de ensino superior.
O Centro Universitário Fametro se posicionou após a divulgação da nota do MEC no Enamed, ressaltando sua trajetória de mais de 20 anos, com 53 mil alunos formados, presença em 11 estados e conceito 4 no IGC, indicador oficial de qualidade das instituições de ensino superior.
Nota Oficial da Fametro
“A Fametro possui uma trajetória sólida e reconhecida na educação superior brasileira há mais de vinte anos, com mais de 53 mil alunos formados, atuação acadêmica em 11 estados da Federação e conceito 4 no Índice Geral de Cursos (IGC) — indicador oficial do Ministério da Educação (MEC) que avalia, de forma global, a qualidade institucional, o desempenho acadêmico e a estrutura pedagógica das instituições de ensino superior.
Recentemente, foram divulgadas informações acerca de avaliações específicas que têm gerado questionamentos. Nesse contexto, é fundamental esclarecer que o próprio Ministério da Educação admitiu a existência de inconsistências nos dados do ENAMED utilizados para o cálculo das notas dos cursos de Medicina, conforme publicado na data de hoje por um dos maiores e mais respeitados jornais do país, o Valor Econômico.
Diante desse cenário, qualquer conclusão definitiva ou juízo final baseado em dados ainda sob análise carece de respaldo técnico e jurídico, até que o processo de verificação e eventual retificação seja concluído pelo órgão competente.
Por essa razão, a Fametro aguarda a manifestação oficial e conclusiva do Ministério da Educação, exercendo plenamente seu direito ao contraditório e à ampla defesa.
A Instituição reafirma seu compromisso permanente com os mais elevados padrões de qualidade acadêmica, comprovado pela formação consistente de seus egressos, amplamente inseridos no mercado de trabalho, pelo contínuo investimento em infraestrutura, corpo docente qualificado e projetos pedagógicos atualizados, além de sua atuação estratégica na expansão do acesso ao ensino superior, especialmente em regiões onde o poder público não consegue atuar de forma plena.
A Fametro segue confiante na seriedade de sua missão educacional e na correta apreciação dos fatos pelos órgãos oficiais”.
Debate necessário
O caso reacende o debate sobre a qualidade da formação médica no Brasil, a fiscalização do Estado sobre instituições privadas e os riscos da precarização do ensino em uma área diretamente ligada à vida da população.
Em um estado que enfrenta dificuldades históricas na saúde pública, os resultados do Enamed expõem fragilidades que ultrapassam a disputa eleitoral e colocam em pauta a responsabilidade de quem forma profissionais da saúde.
Conteúdo baseado em matéria publicada pelo Portal Amazonas1 (https://amazonas1.com.br/nota-1-no-enamed-coloca-fametro-e-gestao-no-centro-das-criticas/).
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