Manaus, 22/07/2026

Brasil

Novas mensagens mostram que PM Gisele queria divórcio após suposta traição

27/03/2026 15h45

A perícia realizada no celular da policial militar Gisele Alves Santana foi concluída e identificou mensagens em que a agente questiona o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto sobre uma suposta traição.

“Quero me separar. Vou ser ex, não corna”, escreveu Gisele em uma das mensagens enviadas.

Segundo o laudo, registros digitais, como interações, uso de aplicativos e histórico do dispositivo, ajudam a traçar um padrão de comportamento anterior ao crime, mostrando uma escalada de discussões nos dias que antecederam a morte da soldado.

“Você sabe que a informação sobre a traição tomou uma proporção grande, todo mundo falou. O que me doeu foi você não ter me contado o que estava fazendo. Quando te perguntei, você mentiu”, escreveu Gisele, ao se queixar de uma possível traição do marido.

A extração de dados também recuperou mensagens em que Gisele afirmava não conseguir superar a traição e indicava que a separação seria o caminho, por não confiar mais no companheiro. A análise ainda identificou indícios de uma possível “limpeza digital” no aparelho logo após o disparo que matou a policial.

O laudo aponta manipulação de informações no celular, com registros compatíveis com exclusão de conteúdos, levantando a hipótese de tentativa de controle da narrativa por meio da alteração de provas digitais. Mensagens apagadas trocadas entre o casal no dia anterior ao crime mostram que Gisele queria se separar, contrariando a versão do tenente-coronel, que alegava ser ele quem pedia o divórcio.

A análise sugere que o aparelho não era apenas um meio de comunicação, mas também um possível instrumento de monitoramento indireto da vítima. Em diversas mensagens, Gisele relatava que o marido monitorava suas redes sociais e teria apagado perfis masculinos de suas contas. Ela também mencionou que o companheiro queria que ela pedisse baixa da corporação, informação confirmada por uma amiga da vítima em depoimento.

Para investigadores, a eventual manipulação de dados digitais pode configurar tentativa de fraude processual e reforçar a tese de feminicídio, ao indicar não apenas violência física, mas também uma possível ação posterior para encobrir o crime.

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