Bombeiros retomam 8º dia de buscas em Brumadinho. Até agora, há 110 mortes confirmadas e 238 desaparecidos. — Foto: Reprodução/Bom Dia Brasil
Nesta quinta, bombeiros civis e voluntários começaram a participar das buscas por corpos em Brumadinho. O grupo tem, pelo menos, 50 pessoas. Há bombeiros civis de diversas regiões do país, arqueólogos e engenheiros, além de bombeiros civis do México.
Equipes atuam para liberar a pista da MG-040, que está bloqueada desde o rompimento da barragem da Vale.
Bombeiros acompanham os trabalhos de perto, caso haja a necessidade de resgatar algum corpo.
Equipes tentam liberar a pista da MG-040, em trecho coberto pela lama de barragem da Vale em Brumadinho — Foto: Fabiana Almeida/TV Globo
Prefeito fala das dificuldades
Avimar Barcelos, prefeito Brumadinho, em entrevista coletiva nesta sexta-feira (dia 1º) — Foto: GloboNews/ Reprodução
Em entrevista coletiva na tarde desta sexta, o prefeito de Brumadinho, Avimar Barcelos, falou sobre o sofrimento da cidade após a tragédia. “Não tem condições de atender [a população] com a arrecadação que a gente tem. A gente precisa muito do estado e do governo federal”, afirmou.
“A responsabilidade que a Vale teria que ter era de não deixar isso acontecer com a cidade. Não existe isso de pagar vida, esses R$ 100 mil [em doações da Vale às vítimas] não são indenização, tem que deixar claro”, disse o prefeito.
De acordo com ele, os R$ 80 milhões que serão pagos pela Vale ao longo de dois anos devem servir para compensar impostos que não serão arrecadados. “Daria uns R$ 4 milhões por mês”, explicou Barcelos.
“Queremos que a Vale pague todos os funcionários do município. E que eles recebam sem trabalhar, com isso não vai atingir o nosso comércio”, pediu. “A Vale é o segundo maior empregador do município. Se não pagar, nosso comércio vai falir.”
O prefeito disse que, após o incidente em Mariana, ocorrido em novembro de 2015, pressionou a Vale para que o rompimento da barragem não ocorresse também Brumadinho. “Olha o que aconteceu em Mariana. Dizem que Mariana não recebeu praticamente nada, nem muito apoio. Até segunda ordem, parece que eles vão cumprir com a gente o que está sendo combinado”, declarou.
Sobre os serviços da cidade, Barcelos comentou que não há falta de água em Brumadinho: “Tem água mineral de sobra na cidade. O nosso negócio agora é atender bem a população e as famílias das vítimas”.
De acordo com ele, a expectativa é que as aulas sejam retomadas em 11 de fevereiro, depois que forem desobstruídas algumas ruas – há casos de vias com uma camada de lama que chega a mais de 4 metros de altura.
Dos 71 corpos oficialmente identificados até o momento, 60 já foram entregues aos familiares. Ainda é possível, em determinados casos, identificar as vítimas por meio de impressão digital.
“Mas daqui, para frente, tudo indica que provavelmente a identificação será via odontológica ou DNA”, disse nesta quinta Arlen Bahia, delegado da Polícia Civil em Brumadinho .
Já foram coletadas amostras de DNA de mais de 200 pessoas de mais de 100 famílias para ajudar nos trabalhos de identificação das vítimas.
A identificação visual e de digitais torna-se mais difícil com o passar dos dias.
Vale anuncia ajuda financeira extra
Nesta sexta, o diretor-executivo de relações institucionais da Vale, Sergio Leite, afirmou que a empresa fará doações em dinheiro aos afetados pela tragédia.
- R$ 50 mil para famílias que moram na chamada “zona de impacto”.
- R$ 15 mil para famílias que tiveram atividade rural ou comercial afetadas.
“Serão cumulativas e inclusive para pescadores atingidos”, afirmou Leite.
Esses valores serão somados à doação emergencial de R$ 100 mil que a mineradora já havia anunciado que doaria a cada família com vítimas. Nesta quinta, a empresa começou a inscrever os nomes de quem vai receber. Não se trata de indenização.
As famílias devem ir a um dos postos de atendimento criados pela Vale – a Estação de Conhecimento e o Centro Comunitário de Feijão. É preciso apresentar documentos que comprovem o parentesco com a vítima.
Se a pessoa perdeu mais de um parente, a doação será por número de vítimas. Assim, a família que tiver perdido duas vítimas para a tragédia vai receber R$ 200 mil.
A inscrição é por ordem alfabética – leva-se em conta o primeiro nome da pessoa que morreu ou está desaparecida. Nesta quinta, foram credenciados os nomes que começam com as letras A e B.
A previsão é terminar as inscrições até terça-feira (5), mas não há um prazo final para comparecimento de quem perdeu um familiar na tragédia.
O pagamento vai ser feito de acordo com uma ordem preferencial:
- Primeiro, ao responsável legal por filhos menores de idade;
- Depois, marido, mulher ou pessoa que vivia em regime de união estável com a vítima;
- Em seguida, filhos e netos;
- Por último, mãe, pai e avós.
As equipes que atuam na área atingida pela lama ganharam mais reforços. Nesta sexta, a cadela Toya, que ajudou a achar o corpo da turista Fabiana Fernandes em Arraial do Cabo (RJ), chegou a Brumadinho.
Cadela Toya, que achou o corpo da turista Fabiane Fernandes, morta no ano passado, chega para participar das buscas. Veio de Arraial do Cabo, onde aconteceu o crime — Foto: Danilo Girundi/TV Globo
As buscas por animais perdidos e atolados também continuam. Até o momento, segundo o Corpo de Bombeiros, 90 animais foram resgatados vivos.
Quem avistar animais pode entrar em contato com os números (31) 99839-9932 e (31) 99414-8078. Os números são da empresa Bicho do Mato, contratada pela Vale para mapear e resgatar animais.