Nesses locais, deve haver psicólogos, assistentes sociais, médicos e enfermeiros. Será oferecida alimentação à população presente, e também deve haver atendimento em relação a direitos trabalhistas e questões jurídicas. Todos devem receber transporte para esses locais de acolhimento e para o IML.
Neste sexto dia, dez corpos foram localizados na área onde ficava o refeitório da Vale, explicou o porta-voz dos bombeiros em na entrevista coletiva no final da tarde, quando falou sobre o balanço dos trabalhos deste sexto dia de buscas.
O tenente Aihara também explicou que os trabalhos foram interrompidos das 14h30 às 15h30, em razão do enterro de uma criança vítima da tragédia. A cerimônia ocorreu ao lado da igreja que fica perto da área de pouso dos helicópteros.
As buscas são feitas em todo o perímetro afetado pela lama – os bombeiros dividiram a área afetada em 18 pontos.
“As equipes da ‘zona quente’ [onde é provável a concentração de corpos] começam o trabalho a partir das 4h da manhã. As interrupções [por conta das chuvas à tarde] foram breves. Como foram apenas pancadas, a atividade aérea não foi afetada”, afirmou o Aihara. Ao todo, 15 helicópteros são usados pelas equipes de resgate. Os sobrevoos foram interrompidos por um período de 10 a 15 minutos.
Segundo ele, “a chuva vai alterar a questão da flexibilidade da lama”.
Há 320 bombeiros brasileiros trabalhando no operação, incluindo reforços de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Alagoas e Maranhão. Também são esperadas tropas de Santa Catarina e do Espírito Santo.
Além disso, há uma equipe de 136 militares enviada pelo governo de Israel. A previsão inicial era de que eles participariam dos trabalhos até a sexta-feira (1º), mas esse tempo de permanência deve ser reavaliado. A tropa israelense trouxe equipamentos para mapeamento de celulares, sonares, radar que detecta o tipo de material que está no local e drones ligados a satélites para mapear a área atingida. Um dos artefatos é capaz de encontrar pessoas com vida a 30 metros de profundidade.
Em entrevista no início da tarde desta quarta, Aihara havia dito ser falsa a informação de que militares foram intoxicados pela lama. Também disse que a população não precisa se preocupar com risco de intoxicação.
Ainda segundo o tenente Aihara, voluntários tiveram permissão para auxiliar o trabalho em algumas áreas consideradas “mornas” ou “frias” – ao contrário das áreas quentes, esses locais, em princípio, não são considerados como prováveis pontos em que há vítimas. “Eles fazem um trabalho de identificando com binóculos verificando se há algum vestígio de possível identificação de algum corpo.”
Repórter da TV Globo Minas, Danilo Girundi comentou que o odor tem piorado com o passar dos dias. “Parece que o calor e o ressacamento da lama favorecem isso”, disse. “Hoje, percebemos todos os bombeiros usando máscaras no rosto.”
De acordo com a assessoria de comunicação da corporação, as máscaras de proteção têm dupla função: evitar a inalação de resíduos tóxicos e dos equipamentos que eles estão utilizando nas buscas e, também, que os soldados sintam tão fortemente o mau cheiro.
Cansaço é visível no rosto dos soldados do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais — Foto: Reprodução/TV Globo
O tenente Pedro Aihara explicou que os militares estão sendo submetidos a um rodízio para que possam descansar: “Os militares não estão há seis dias ininterruptos. Estão numa lógica de rodízio, mas evidente que pelo tipo de operação e pela demanda que a gente tem é um serviço extenuante”.
“Têm circulado vídeos que mostram o cansaço físico e a exaustão, mas isso é inerente à nossa própria atividade. Ao final de uma operação como essa, nós saímos desgastados física e psicologicamente, mas, para tudo isso, é feito um acompanhamento”, disse o porta-voz dos bombeiros.
“A abnegação desses profissionais demonstra muito o esforço e a preocupação que a gente tem de trazer esses corpos da maneira mais respeitosa e rápida possível.”
Depoimentos de sobreviventes
A Polícia Civil de Minas Gerais informou ouviu nesta quarta cinco sobreviventes da tragédia de Brumadinho na investigação sobre as causas do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão. O nome deles e o teor do depoimento não foram divulgados.
O delegado da Polícia Civil Arlen Bahia disse que é “prematuro” chegar a conclusões após os depoimentos. Outras pessoas ainda serão ouvidas.
“A princípio, nós vamos formalizar a prova subjetiva com esses cinco sobreviventes justamente para traçar até a dinâmica delitiva (…) Eles estavam na área crítica, onde efetivamente ocorreram os fatos”, afirmou o delegado em entrevista coletiva.
As famílias de vítimas da tragédia vão receber R$ 100 mil da Vale, independentemente de eventuais indenizações.
Em entrevista na manhã desta quarta, o porta-voz do Comitê de Respostas Imediatas da empresa, Sérgio Leite, afirmou que este valor é por vítima. Ou seja, famílias que perderam mais de um parente receberão proporcionalmente.
Segundo ele, o dinheiro deve estar disponível nos próximos três dias. As famílias que têm direito à doação devem ir a um dos postos de atendimento criados pela Vale, a Estação de Conhecimento e o Centro Comunitário de Feijão, a partir das 14h da quinta-feira (31).
Além destes dois pontos, a mineradora diz que criou um canal de atendimento telefônico para tirar dúvidas das famílias de vítimas da tragédia.