
A oposição no Congresso Nacional protocolou nesta semana um recurso contra a eleição da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Casa. Hilton é a primeira mulher transexual a comandar o colegiado.
Enviado pela deputada Chris Tonietto (PL-RJ) ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o recurso argumenta que a votação que resultou na eleição de Hilton foi conduzida de forma irregular e que houve a “ausência de legitimidade democrática”.
Como a comissão contém 22 integrantes, Tonietto alega que os 12 votos em branco representam maioria absoluta, o que significaria que a chapa não recebeu o apoio necessário.
A deputada acrescenta que, na urna, não existe a possibilidade de votar “não” e que, dessa forma, o voto em branco seria a única forma de expressar a falta de concordância com os nomes propostos.
Após a primeira rodada, a comissão realizou uma segunda votação, o que, segundo Tonietto, se deu “a despeito da clara rejeição” pela maioria absoluta ao nome de Hilton.
No recurso, a deputada destaca que, segundo o regimento da Câmara, só é permitida uma segunda rodada quando existem dois candidatos ou chapas. O texto fala na realização de um segundo escrutínio com “os dois mais votados para cada cargo, quando, no primeiro, não se alcançar maioria absoluta”.
“O segundo escrutínio é um mecanismo de desempate entre dois candidatos; logo, à definição entre candidaturas competitivas que gozam de aceitação parcial, e não um mecanismo para forçar a eleição de um candidato rejeitado pela maioria absoluta logo na primeira oportunidade”, diz o recurso protocolado.
A oposição também reclama que a segunda rodada teria sido encerrada antes do tempo, o que ” restringiu” a manifestação de voto dos integrantes.
O texto foi assinado por 20 deputados. Desses, nove são homens.
O grupo fez a Hugo quatro pedidos:
Hilton foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara na semana passada, em 11 de março.
Em seu discurso, a deputada destacou que o colegiado abordará todas as mulheres “sem exceção” em dignidade e pluralidade.
“Queira ou não queira, mulheres e trans e travestis não serão abandonadas nessa discussão e não me importa a vontade de quem quer que seja”, declarou na ocasião.
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