
Tristeza e revolta marcaram o sepultamento de Raíssa Sotero Rezende, de 14 anos, realizado no Cemitério de Santo Amaro, Centro do Recife. A adolescente foi assassinada na praia de Maria Farinha, em Paulista, Região Metropolitana do Recife, na manhã da última terça-feira (25). A mãe da jovem estava inconsolável e amparada por familiares. Abalado, o pai da garota, disse que ficou sabendo da morte da filha em uma lanchonete, ao ver o vídeo do crime.
“Passei o dia inteiro na casa da minha mãe, mas não vimos nada. Minha mãe foi dormir e fui para a minha casa. Quando cheguei numa lanchonete para comer alguma coisa, as pessoas estavam compartilhando um vídeo. Eu perguntei o que era e falaram que duas meninas teriam matado alguém em Maria Farinha. Eu pedi para ver e não vi o rosto, mas vi o perfil e me deu um calafrio. Pedi para ver o rosto tive um choque. Era a minha filha apanhando”, descreveu, emocionado.
A adolescente foi torturada e assassinada por duas jovens de 15 anos, na beira mar. Uma delas, que era ex-namorada da vítima, filmou toda a ação, enquanto a outra espancava Raíssa e mergulhava a cabeça dela na água. Após as agressões, a garota foi esfaqueada. Uma das linhas de investigação da polícia aponta para um crime motivado por ciúmes.
Segundo familiares e amigos, Raíssa já vinha sofrendo ameaças da ex-namorada. O pai da vítima afirma que a filha demonstrava medo de se aproximar da adolescente, após o término do namoro. A vítima morava com o pai, no bairro do Cordeiro, mas se mudou para os Coelhos e trocou de escola para não conviver com a suspeita. Durante o relacionamento, Raíssa fugiu de casa, mas foi encontrada pelo pai depois de 20 dias.
O encontro das duas teria ocorrido no Derby, região central do Recife, de onde ambas seguiram de ônibus para Maria Farinha. “A outra envolvida, que aparece agredindo a vítima no vídeo, descobriu essas mensagens, seguiu as duas e quando elas estavam no local foram surpreendidas e começaram as agressões”, afirma Muniz. O delegado acredita que o crime não foi premeditado.
As adolescentes responsáveis pelas agressões já tinham passagem pela polícia por atos infracionais análogos a roubo e tentativa de assassinato. Desta vez, elas foram autuadas por atos análogos a homicídio duplamente qualificado, por meio cruel e sem possibilidade de defesa da vítima. “Os elementos que tenho em mãos não indicam feminicídio, mas, ao longo da investigação, isso pode mudar”, disse Muniz.
Compartilhamento de imagens
O vídeo em que a adolescente Raíssa Sotero Rezende, 14, aparece sendo agredida e assassinada foi amplamente compartilhado em redes sociais horas após o crime. O pai da vítima ficou sabendo da morte ao visualizar as imagens em uma lanchonete. O que muita gente não sabe é que a prática de compartilhar esse tipo de imagem é crime previsto no artigo 212 do Código Penal Brasileiro.
Quem faz imagens, compartilha ou ajuda a divulgar essas fotos e vídeos pode responder por vilipêndio de cadáver – exposição e desrespeito à vítima. A pena varia de um a três meses de detenção e multa. Esse tipo de crime pode envolver qualquer pessoa, até mesmo familiares das vítimas. Basta que alguém, parente ou amigo, sinta-se ofendido com a divulgação das imagens e procure a polícia para registrar um boletim de ocorrência.
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