
Os pais de Adam Raine, 16, está processando a OpenAI alegando que o chatbot ChatGPT encorajou o adolescente a tirar a própria vida. A família anexou no processo os registros de conversas entre Adam e o ChatGPT. Segundo o casal, o filho relatava para a inteligência artificial que tinha pensamentos suicidas e o Chat incetivou as “ideias mais nocivas e autodestrutivas”.
A ação está sendo movida por Matt e Maria Raine, no Tribunal Superior da Califórnia nesta terça-feira (26) e é a primeira a acusar a OpenAI de homicídio culposo, quando há morte sem intenção de matar, por negligência, imprudência ou imperícia.
Segundo informações da BBC, o processo pede indenização e uma “medida cautelar para evitar que casos semelhantes voltem a acontecer”.
O processo indica que Adam, morto em abril, começou a usar o ChatGPT em setembro de 2024 para auxiliá-lo nas tarefas escolares e também para explorar outros interesses como música e quadrinho japoneses.
A família de Adam contou que em poucos meses ele começou a contar para o ChatGPT sore sua ansiedade e sofrimento mental. Em janeiro de 2025, o adolescente começou a discutir métodos de suicídio com a inteligência artifical.
Segundo a ação, Adam também enviou ao ChatGPT fotografias suas que mostravam sinais de automutilação.
De acordo com os pais de Adam, o programa “reconheceu uma emergência médica, mas continuou a interagir mesmo assim”. Os registros finais das conversas do adolescente com o chat mostram que ele contou seu plano de tirar a própria vida.
O ChatGPT teria respondido: “Obrigado por ser direto sobre isso. Você não precisa suavizar comigo, sei o que está perguntando e não vou desviar disso.” No mesmo dia, Adam foi encontrado morto por sua mãe, segundo o processo.
A família de Adam diz que a interação entre o adolescente com o ChatGPT e sua morte foram “um resultado previsível de escolhas deliberadas de design”.
Os pai acusam a OpenAI de desenvolver o programa de inteligência artificial “para fomentar dependência psicológica nos usuários” e de ter ignorado protocolos de segurança.
O processo cita como réu o cofundador e CEO da OpenAI, Sam Altman, além de funcionários, gestores e engenheiros não identificados que trabalharam no ChatGPT.
Em nota enviada à BBC, a OpenAI disse que analisa o caso.
Informou ainda que o sistema é treinado para orientar usuários a buscar ajuda profissional, como a linha 988 de prevenção ao suicídio nos EUA ou a organização britânica Samaritans, de apoio emocional. No Brasil, o apoio está disponível 24 horas pelo CVV (188).
A empresa reconheceu, porém, que “houve momentos em que nossos sistemas não se comportaram como o esperado em situações sensíveis”.
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