
Nesta segunda-feira (28), um grupo de pais de alunos de diversas comunidades do município do Careiro, no Amazonas, realizou um protesto para cobrar o pagamento dos barqueiros responsáveis pelo transporte escolar dos estudantes da rede pública.
Segundo os manifestantes, os condutores estão há meses sem receber pelos serviços prestados. Diante da falta de recursos para sustentar suas famílias e quitar dívidas com postos de combustíveis e comércios locais, muitos barqueiros decidiram interromper as atividades. Como consequência, dezenas de crianças seguem sem acesso às escolas.
A situação é agravada pelo clima de medo e insegurança denunciado pelos pais. De acordo com relatos, os barqueiros que tentam cobrar explicações da gestão municipal, expõem a situação à imprensa ou fazem críticas em redes sociais e grupos de WhatsApp acabam sendo dispensados do serviço.
“Não é uma situação nova. Há anos isso acontece, como um balde que vai enchendo até transbordar”, afirmou uma das mães presentes no protesto.
Segundo os pais, o cenário se tornou insustentável e quem mais sofre são os alunos, privados do direito fundamental à educação.
Além do transporte escolar, outra categoria essencial também enfrenta sérios problemas: os profissionais da saúde. Técnicos de enfermagem, agentes comunitários e enfermeiros relatam que também estão com salários e benefícios atrasados há meses. Muitos, inclusive, vêm arcando com o transporte por conta própria para manter o atendimento às comunidades, mesmo sem receber qualquer contrapartida financeira.
Servidores denunciam que, apesar de o governo federal realizar regularmente o repasse das verbas destinadas à área da saúde, os recursos não estão chegando aos trabalhadores. A situação tem comprometido a prestação dos serviços de atenção básica, especialmente nas zonas rurais e ribeirinhas do município.
Diante da gravidade das denúncias, o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) acompanha a situação e pode instaurar procedimentos formais para apurar possíveis irregularidades na aplicação de recursos públicos. O órgão também avalia medidas para garantir a continuidade do calendário escolar e a manutenção dos serviços de saúde nos locais afetados.
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