
Cientistas descobriram um novo tipo de parasita que se alimenta de “fungos zumbis”, organismos que são capazes de controlar o comportamento dos insetos infectados até levá-los à morte. O hiperparasita, como é conhecido um parasita que infecta outro parasita, foi encontrado nas florestas de Bornéu.
A espécie recém-descoberta infecta formigas já contaminadas por um fungo do gênero Ophiocordyceps. Esse fungo manipula o sistema nervoso da formiga infectada, controla seu comportamento, a devora de dentro para fora e, por fim, emerge de sua carcaça.
O Pleurocordyceps cornusynnemata, como foi nomeado o fungo recém-descoberto, não se alimenta da formiga em si, mas diretamente do tecido do Ophiocordyceps que se espalha dentro do inseto.
Nomeada em homenagem à sua estrutura única, em forma de chifre, a Pleurocordyceps cornusynnemata foi descoberta depois que cientistas estudaram uma formiga morta coletada no Vale de Danum, uma área remota no estado malaio de Sabah, na parte norte de Bornéu. Outras 26 espécies de Pleurocordyceps já foram registradas anteriormente na China, Tailândia e Japão, mas só este fungo tem este formato diferenciado.
“A descoberta destaca o imenso valor científico das florestas tropicais de Bornéu, onde interações ecológicas complexas continuam a desafiar nossa compreensão da vida na Terra. Além da empolgação de encontrar um organismo raro, esta pesquisa ressalta a importância de conservar os ecossistemas tropicais que abrigam inúmeras espécies e relações ecológicas ainda não documentadas”, disseram os pesquisadores em uma publicação nas redes sociais na sexta-feira (19).
“Esses resultados ampliam o conhecimento sobre a distribuição geográfica de Pleurocordyceps e fornecem os primeiros dados de referência para o gênero na Malásia, melhorando assim nossa compreensão da diversidade e das relações evolutivas dentro da família Polycephalomycetaceae”, acrescentaram os pesquisadores no resumo do estudo, publicado na revista científica New Zealand Journal of Botany.
O estudo foi liderado por Jaya Seelan Sathiya Seelan, do Instituto de Biologia Tropical e Conservação da Universidade da Malásia Sabah (UMS).
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