
CARACAS – Em uma atitude inédita entre militares de sua patente, um general venezuelano da ativa negou a legitimidade de Nicolás Maduro e reconheceu Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela.
— Sou o general de divisão Francisco Estebán Yánez, diretor de Planificação Estratégica do Alto Comando Militar da Aviação, e me dirijo a vocês para lhes informar que desconheço a autoridade ilícita e ditatorial de Nicolás Maduro, e que reconheço o deputado Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela — afirma o militar, em vídeo divulgado no Twitter neste sábado. — Povo da Venezuela, 90% das Forças Armadas da Venezuela não estão com o ditador, estão com o povo da Venezuela.
As Forças Armadas são consideradas a principal sustentação do poder de Maduro e um dos principais elementos que definirá se a pressão interna e externa que o mandatário enfrenta surtirá efeito. A Venezuela tem mais de 600 generais, cujas declarações públicas são rigidamente controladas pelos serviços de inteligência do país.
Acredita-se que a insatisfação com Maduro seja alta em patentes mais baixas, mas pouco se sabe sobre o nível de apoio de que o regime atual dispõe entre as patentes mais elevadas. Entende-se que muitos militares dispõem de vantagens, que receariam perder em caso de mudança de regime.
Yánez, que, no vídeo disponibilizado, aparece com duas estrelas em sua farda, não é o primeiro general a desertar, mas o primeiro a fazê-lo desde que Guaidó se autoproclamou presidente interino do país.
Em sua conta oficial, o Comando da Aviação da Venezuela chamou o general de “traidor”. “Cabe destacar que [Yánez] não dispõe de mando nem de comando sobre tropas e muito menos sobre unidades áerea. Também não têm liderança na aviação e que cumpria funções de planificação”, escreveu.
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