Manaus, 05/06/2026

Amazonas

PERITO CONTRATADO PELA FAMÍLIA DE LORENA MOSTRA LAUDO DIFERENTE DO APRESENTADO PELO INSTITUTO DE CRIMINALÍSTICA

PERITO CONTRATADO PELA FAMÍLIA DE LORENA MOSTRA LAUDO DIFERENTE DO APRESENTADO PELO INSTITUTO DE CRIMINALÍSTICA
08/02/2020 11h18

Contradições e divergências permearam as manifestações dos peritos criminais que elaboraram laudos técnicos sobre o tiro que atingiu a perita da Polícia Civil, Lorena Baptista, na madrugada de 5 de julho de 2010.

As manifestações de Alacid Moreira do Santos, perito oficial do caso e servidor do Instituto de Criminalística do Estado do Amazonas, e do perito criminal Alberi Espindola, contratado pela família de Lorena, aconteceram entre a tarde e noite desta sexta-feira, 7, no julgamento do cirurgião-dentista Milton César Freire da Silva, que está em seu terceiro dia consecutivo. Ambos foram arrolados pela parte acusatória.

Em sua explanação, Alacid defendeu que, nos dois laudos que assinou sobre a cena do crime, tanto Lorena quanto Milton estavam de frente um para o outro, em pé, que Lorena sacou a arma e, que, com o impacto do tiro houve um ricochete na parede. Já o laudo de Espíndola, que em tese é um complemento ao laudo oficial, diverge completamente da perícia de Alacid, afirmando que Lorena estava sentada na hora do tiro, que não houve ricochete na parede e que a arma estava nas mãos de Milton.

Com a confusão estabelecida entre a própria acusação, Alacid chegou a afirmar, quando questionado pelos promotores de Justiça e assistentes de acusação, de que seu laudo talvez não fosse o mais correto em detrimento do laudo de Espíndola. Entretanto, ao ser inquirido pela defesa, o perito do Estado voltou atrás em seu discurso, defendendo o documento que assinou.

Alacid, inclusive, afirmou categórico, ao ser questionado pela defesa sobre a prática ou não de homicídio, respondendo que “se foi doloso, eu não posso afirmar”, descartando, a hipótese defendida por Espíndola e a promotoria de Justiça, de que foi um crime de homicídio e, não um tiro acidental, como sustenta a defesa.

Segundo os advogados de Milton, há um laudo oficial elaborado dias após os fatos, em 2010; há ainda um laudo do perito Ricardo Molina, que não diverge do oficial, mas o complementa afirmando que foi acidente e, existe uma sentença que decidiu com bases nas provas técnicas pela absolvição, em 2014. “Agora, depois de ser pautado novo júri, em 2020, a assistente de acusação traz um outro perito que vem dizer que todos estão errados, depois de fazer uma perícia oito anos depois do fato e querer mudar a versão apenas para incriminar o réu que já havia sido absolvido anteriormente”, disse a defesa do cirurgião-dentista.

Alberi Espindula, em sua explanação, revelou que foi contratado pela família de Lorena em 2018 e, que, somente após formalizar o contrato é que começou a levantar as provas técnicas para embasar seu parecer, 8 anos após os fatos.

Segundo o preito o Tiro foi acidental

Último perito a se manifestar sobre o caso nesta noite, Ricardo Molina apresentou um laudo pericial que coaduna com o apresentado pela perícia técnica do Estado há 10 anos e aponta que o tiro foi, sim, acidental.

Conforme Molina, houve um primeiro impacto do tiro na cabeça de Lorena, um segundo impacto na parede (ricochete) e, um terceiro, no chão, confirmando que a perita da Polícia Civil estava de pé no momento do ocorrido e, ainda, concordando com o laudo oficial.

“Eu não tenho dúvidas, conforme o laudo apresentado, de que houve o ricochete”, frisou o perito concordando com a versão que o réu sustenta há 10 anos.

Conforme Molina, levar em consideração a forma como o corpo de Lorena foi encontrado é arriscado, uma vez que há comprovação de que foi mexido na cena do crime, segundo confirmou Pedro Baptista, filho da perita, em seu depoimento.

Ricardo Molina foi o último entre os peritos que se manifestaram nesta fase do julgamento, na noite desta sexta-feira.

O júri popular se encerra neste sábado, 8, quando Milton César deverá manifestar sua versão dos fatos, seguido da sustentação oral da defesa e da acusação e, culminando no resultado do julgamento com o veredicto do Conselho de Sentença.

Essa é a segunda vez que o cirurgião-dentista está sendo julgado. Em 2014, na sentença absolutória, a juíza Mirza Thelma concluiu que o tiro foi acidental, absolvendo-o.

O crime

De acordo com o Inquérito Policial, que originou a denúncia do Ministério Público do Amazonas (MPE-AM), em 5 de julho de 2010, por volta da meia-noite, Lorena, ex-mulher de Milton Silva, chegou ao Condomínio Villa-Lobos, no bairro Parque 10 de Novembro, acompanhada do filho menor do casal, tendo sido recebida pelo porteiro do condomínio.

Lorena informou que ela e o filho iriam ao apartamento de Milton. Já no apartamento, ainda segundo a denúncia, após uma discussão entre vítima e acusado, Lorena sacou a arma que levava na cintura. A arma teria sido tomada por Milton, que apontou para a cabeça de Lorena e atirou, causando a morte instantânea da perita. Milton deixou o filho aos cuidados de um vizinho e se evadiu a pé do local dos fatos.

 

*Com informações da Assessoria

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