
A Polícia Civil de Goiás busca o paradeiro de César Augusto Santos de Souza, técnico de enfermagem gravado agredindo um idoso de 86 anos em estado avançado de Alzheimer. As imagens, captadas por câmeras de vigilância instaladas pela família no quarto da vítima, revelam uma rotina de violência e maus-tratos.
O material analisado pela investigação mostra cenas chocantes de abuso contra o idoso, que é acamado e totalmente dependente. Em uma das imagens, o técnico introduz uma seringa com água de forma brusca na boca da vítima. O profissional também força colheres de comida repetidamente, sem respeitar o tempo de mastigação ou deglutição do paciente. O idoso é virado e movimentado sem qualquer cuidado físico, evidenciando o uso de força desproporcional.
A esposa da vítima decidiu verificar as câmeras após começar a desconfiar do comportamento do cuidador. Segundo o delegado Alexandre Bruno Barros, o caso está sendo tratado como crime de tortura de forma continuada.
A polícia acredita que as agressões ocorriam há pelo menos três meses. Diante da gravidade, a empresa de saúde onde César Augusto trabalhava foi acionada para fornecer o cadastro de todos os pacientes atendidos por ele anteriormente. “As diligências estão sendo feitas para identificar se outras pessoas também foram vítimas desse profissional”, afirmou o delegado.
O Conselho Regional de Enfermagem de Goiás (Coren-GO) instaurou um procedimento administrativo para apurar a conduta ética do técnico. A Procuradoria Jurídica do órgão já solicitou acesso aos autos do inquérito para avaliar a suspensão ou cassação do registro profissional de Souza.
Em nota, a advogada Lauany Deborah Rodrigues, que representa César Augusto, manifestou preocupação com a “repercussão midiática” do caso, afirmando que a exposição coloca em risco a integridade física de seu cliente.
A defesa contesta o pedido de prisão preventiva e sustenta que o princípio constitucional não estaria sendo respeitado e que o acusado deseja apresentar sua versão dos fatos para buscar a “verdade real”. A defesa também questiona a classificação do crime como tortura, sugerindo que há uma inclinação para forçar uma punição mais grave e que requerimentos serão apresentados para analisar a validade das imagens e provas colhidas até o momento.
Informações sobre o paradeiro de César Augusto podem ser repassadas de forma anônima à Polícia Civil pelo número 197.
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