
Trabalhadoras e trabalhadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) cruzaram os braços nesta quarta-feira (17). A decisão foi tomada pela categoria em assembleias convocadas pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (SINPAF) e realizadas em todo o país. A deliberação reflete a insatisfação da categoria com a ausência de avanços concretos nas mesas de negociação.
No Amazonas, trabalhadoras e trabalhadores da Embrapa também irão aderir à mobilização nacional do dia 17 de junho, reforçando a cobrança por avanços nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027. A mobilização ocorre em sintonia com as demais unidades da empresa no país e busca dar visibilidade às reivindicações da categoria, que incluem recomposição salarial, valorização profissional, melhorias nas condições de trabalho e ampliação de direitos. A participação das unidades amazonenses demonstra que a insatisfação com a falta de respostas concretas da direção da empresa não se restringe a uma região específica, mas reflete uma demanda nacional das trabalhadoras e dos trabalhadores da pesquisa agropecuária.
A pauta de reivindicações inclui recomposição salarial, melhorias nos benefícios, manutenção e ampliação de direitos, valorização profissional, condições adequadas de trabalho, ações voltadas à saúde e qualidade de vida, além do reconhecimento de demandas específicas da categoria, como o Adicional de Escolaridade para assistentes e técnicos.
Na pauta econômica, a categoria reivindica o reajuste pelo acumulado do IPCA de maio de 2025 a abril de 2026, acrescido de 2% de aumento real, além da recomposição das perdas salariais do período de maio de 2018 a abril de 2024, com base no IPCA do período, acrescida da variação dos últimos 12 meses do PIB agropecuário, incidente sobre os salários, com pagamento retroativo dos valores devidos.
Cenário das Negociações
Em oito rodadas de negociação, a empresa não se posicionou em relação às cláusulas econômicas da categoria sob a justificativa de que essas decisões dependem de instâncias superiores como como o Conselho de Administração (Consad), o Comitê de Auditoria (COAUD) e a Sest/MGI. Além disso, a Embrapa pouco avançou em cláusulas sociais.
Sem respostas às principais reivindicações, as trabalhadoras e os trabalhadores seguem preocupados com o cenário, visto que por ser um ano eleitoral o fator tempo é decisivo. Em anos de eleição, os prazos para formalização de acordos e implementação de medidas tendem a ser mais restritos, tornando ainda mais importante que a empresa apresente avanços efetivos nas negociações do ACT 2026/2027.
Mobilização cresce diante do impasse nas negociações
A decisão dá continuidade ao processo de mobilização nacional iniciado no fim de abril, quando trabalhadoras e trabalhadores da Embrapa realizaram manifestações simultâneas em diversas unidades do país em defesa do ACT 2026/2027, demonstrando união e disposição para lutar pela manutenção e ampliação de direitos.
Para o SINPAF, a ausência de progresso nas negociações após a mobilização de abril demonstra a necessidade de intensificar a pressão sobre a empresa. A entidade avalia que a participação expressiva das trabalhadoras e dos trabalhadores nas assembleias evidencia o compromisso da categoria com a defesa de seus direitos e com o fortalecimento da pesquisa pública brasileira.
O sindicato ressalta que a valorização das trabalhadoras e dos trabalhadores está diretamente ligada ao fortalecimento da própria Embrapa, uma das instituições mais importantes do país para o desenvolvimento da agropecuária, da ciência, da inovação tecnológica, da segurança alimentar e da sustentabilidade.
“Para o SINPAF, os profissionais que constroem diariamente essa trajetória de excelência não podem permanecer sem respostas concretas às reivindicações apresentadas na campanha salarial”, afirma Jean Kleber de Sousa Silva, presidente do SINPAF.
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