
A campanha Abril Verde do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região chama atenção, em 2026, para um tema que ganha cada vez mais relevância no mundo do trabalho: a saúde mental.
A mobilização, tradicionalmente voltada à prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, amplia o foco neste ano para incluir riscos psicossociais, como estresse, burnout e assédio moral, que passam a ser alvo direto de fiscalização com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1, que entra em vigor em maio.
A nova regra, editada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, estabelece que empresas são obrigadas a identificar, avaliar e controlar esses riscos dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), sob pena de multa.
Dados do próprio MTE mostram a dimensão do problema. Em 2022, os chamados “outros transtornos ansiosos” (CID F41) representaram 3,78% dos afastamentos, ocupando a terceira posição entre as doenças relacionadas ao trabalho. 
Já episódios depressivos (CID F32) e transtornos de adaptação (CID F43) somaram 2,32% e 2,25%, respectivamente. Juntos, os transtornos mentais alcançaram 8,35% dos adoecimentos ocupacionais, ficando em segundo lugar no ranking geral. 
Para o juiz do Trabalho Sandro Nahmias Melo, o cenário reflete uma mudança estrutural no ambiente profissional.
“O mundo do trabalho mudou. Hoje, os riscos não são apenas físicos. Há uma preocupação crescente com a saúde mental, e isso se reflete na nova redação da NR-1, que passa a exigir um ambiente de trabalho saudável também do ponto de vista psicológico”, afirma.
A atualização da norma traz três mudanças principais:
Na prática, situações como sobrecarga de tarefas, assédio, falta de reconhecimento, isolamento no trabalho remoto e falhas na gestão passam a integrar o inventário de riscos das empresas.
Segundo o guia do MTE sobre fatores psicossociais, o ambiente e a organização do trabalho têm impacto direto na saúde dos empregados, podendo gerar transtornos mentais, fadiga e até problemas físicos.
“Os trabalhadores não podem ser assediados nem sofrer agressões morais. As empresas terão que agir. Quem não implementar essas medidas será punido”, reforça Sandro Nahmias.
O MTE recomenda que as empresas iniciem imediatamente a avaliação dos riscos psicossociais, com medidas como:
A implementação deve começar pela avaliação ergonômica preliminar e seguir com definição de medidas de prevenção, cronograma e responsáveis, com registro formal de todas as etapas.
A nova NR-1 reforça uma mudança de paradigma: segurança do trabalho deixa de ser apenas física e passa a incluir, de forma obrigatória, o bem-estar psicológico.
No contexto do Abril Verde, o alerta é claro: prevenir acidentes continua essencial, mas cuidar da saúde mental dos trabalhadores tornou-se uma exigência legal e uma necessidade urgente no ambiente corporativo.
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